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O vazio existencial e o diagnóstico de época

  • 18 de mar.
  • 3 min de leitura

Vivemos em uma época marcada por muitas mudanças sociais; os paradigmas se modificam, revoltas emergem, alterações climáticas, a intensificação do mundo digital e, consequentemente, a preocupação em relação ao futuro e com o presente aumentam.


Essa época traz também muito mais diagnósticos relacionados à saúde mental do que antigamente. Por um lado, indica o avanço do conhecimento; por outro, a preocupação com o anestesiamento da consciência através do uso de medicamentos como única estratégia, sem a busca por tratar as causas que trazem os sintomas.


Inevitavelmente, o vazio existencial preenche esse espaço que fica vago dentro de nós. O vazio existencial é, portanto, como já dizia Viktor Frankl, um diagnóstico de época.


Se você se sente assim, saiba que não está sozinho, pois faz parte do mundo em que vivemos.


Em momentos de angústia, costumamos nos perguntar: por que estou me sentindo assim e por que isso acontece comigo? Normalmente, queremos nos afastar da dor e buscamos qualquer alternativa para anestesiá-la, como, por exemplo, o uso das redes sociais, medicamentos calmantes, jogos, filmes/séries, comida, sexo ou qualquer coisa que traga um leve alívio de tensão. Isso funciona por um período breve, mas não preenche o vazio.


As causas desse vazio existencial podem ser diversas, mas muitas vezes indicam que a pessoa não encontrou um sentido de vida que lhe mova e lhe traga propósito para suportar as adversidades da vida, pois, como já dizia Viktor Frankl: “Quem tem um porquê suporta quase qualquer como”.


Quem tem um sentido de vida e o reconhece não deixa de sofrer, mas, por compreender para onde está indo, pode suportar com mais resignação a dor que lhe chega.


Carl G. Jung fala de um processo de individuação, que, simplificando, significa a realização do si mesmo. Isso implica um processo de autoconhecimento e realização no mundo. Pois ninguém vive sozinho e a vida em sociedade se faz necessária para o desenvolvimento humano. Ainda assim, esse processo exige uma certa dose de solidão para aprofundar em nossa imensidão e, ao mesmo tempo, implica em reconhecermos que somos diferentes da massa e dos grupos sociais dos quais fazemos parte, como, por exemplo, da família, trabalho, amigos etc. Esse processo, por vezes, é marcado por angústias, pois, ao irmos de encontro com a nossa verdade e batalharmos por aquilo que acreditamos, é um trabalho que exige coragem para enfrentar opiniões contrárias e avançar rumo às próprias conquistas.


Mas há beleza nesse processo: a lagarta não se torna borboleta da noite para o dia, mas, quando ela ganha asas e alça voo, ela se dá conta de que é muito mais do que imaginava ser.


As asas sempre estiveram dentro dela, como potencialidade. Da mesma forma, nossos potenciais também estão em nós.


A realização do si mesmo dialoga intrinsecamente com ter um sentido de vida.

O sentido de vida muda ao longo da vida e é natural que assim seja. Pois, viver exige aprendizado, escuta, socialização, recolhimento, movimento e quietude. A vida é essa dança cósmica que acontece dentro e fora de nós.


Estar atento a esses movimentos e escutar os chamados do coração transformam a vida interior.


Escute o seu coração.


Tum tum. Tum tum.


Quais são as sensações corporais? Quais imagens surgem na mente? Observe tudo com atenção.


O sentido se faz conforme caminhamos na estrada da vida. Essa estrada é longa e desconhecida. Algumas pessoas chegam e ficam, outras seguem outros rumos. Mas você sempre permanece na sua própria estrada. Esse processo de caminhar na própria estrada se assemelha ao desenvolvimento humano: aprendemos com o meio ao mesmo tempo que o transformamos, pois tudo dialoga entre si. Nessa jornada, adquirimos conhecimento e transformamos vidas. Estar perdido não significa derrota, mas um novo recomeço. Lembre-se de se levantar e seguir. Com isso, novos sentidos passam a existir em consonância com a sua verdade interna.


Lembre-se de ser gentil consigo mesmo para poder observar aquilo de melhor que a vida vem tentando lhe mostrar, porque, no fim, o sentido não está apenas no fim da jornada, e sim na forma como escolhemos caminhar.

 
 
 

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